Nossa categoria está doente: Ritmo de trabalho e pressões geram aumento absurdo nos transtornos psicológicos



Diante do aumento significativo em afastamento por transtornos mentais entre os funcionários dos Correios, vimos a necessidade de consultar um profissional que ajudasse no diagnóstico, razões e soluções para a melhora na qualidade de vida dos nossos colegas ecetistas.

A equipe de Comunicação do Sintect-VP procurou o renomado Psicanalista, Coach, especialista em Síndrome do Pânico, Coordenador do GASPAN - Grupo de auto-ajuda aos portadores da Síndrome do Pânico; Dr. Douglas Brito, para uma rápida entrevista que pode nos ajudar a esclarecer alguns pontos.

Psicanalista: "O aumento nos registros de transtornos psicológicos tem sido significativo, principalmente nos últimos anos, já contamos com 6% de toda a população com diagnóstico de Síndrome do Pânico e entre 20% a 30% dos brasileiros com algum grau de depressão. 

Eu acredito que esta busca desenfreada pelo sucesso profissional e pessoal seja a grande responsável, normalmente porque poucas pessoas realmente fazem esta busca de forma equilibrada e adequada ao seu modo de vida e conceitos pessoais de felicidade."
Sintect-VP: O ritmo alucinante de trabalho, sem reconhecimento profissional, salário justo e trabalho em condições insalubres, contribui para estas doenças?

Resp. Psicanalista: Completamente. Mas não acredito que conseguiremos ver o fim deste túnel...

Nós do Sintect-VP avaliamos que a "luz no fim do túnel para esta questão, está relacionada ao descaso com os trabalhadores, em um sistema que preza pela extração do lucro e não no bem estar de sua população. Portanto, cabe ao governo e empresa fazerem tais adequações para melhorar o ambiente de trabalho. O Dr. Douglas Brito completa: "O que nós podemos fazer é realmente contornar situações e buscar 'válvulas de escape' para os problemas."

Sintect-VP: Quem sofre mais com esses transtornos? homens ou mulheres?

Resp. Psicanalista: Ambos, mas as formas de manifestações são bem distintas. As mulheres são mais emocionais, por isso acabam demonstrando mais insatisfações, já os homens demonstram de forma mais indireta, até com comportamentos mais agressivos.

Sintect-VP: Quando é necessário iniciar um tratamento?

Resp. Psicanalista: O ideal seria fazermos 'preventivas', mas como não é da nossa cultura, devemos buscar tratamento sempre que o primeiro sintoma começar a aparecer, principalmente os comportamentais, que antecedem os físicos.
Sintect-VP: No Brasil, existe investimento e informações suficientes para enfrentar esses problemas? As pessoas tem acesso ao tratamento adequado?

Resp. Psicanalista: Não mesmo! Na nossa cultura, apagamos fogo sempre!

Sintect-VP: É possível combater crises de ansiedade sem uso de remédios?

Resp. Psicanalista: Sim, com mudanças comportamentais.

O Dr. Douglas Brito ainda orienta em seu site, para não esperar que os transtornos atinjam estágio avançado e que não existem fórmulas mágicas com efeito imediato. 

Sintect-VP: Por que o Sr. avalia que hoje em dia existem muitas pessoas infelizes e com depressão? qual a diferença entre infelicidade e depressão?

Resp. Psicanalista: ...Precisaríamos buscar, dentro do entendimento pessoal, qual é o conceito de felicidade. Usualmente, identificamos as pessoas sorridentes e saltitantes como felizes, mas como medir isso? Bom, o que nós identificamos é a diferença entre tristeza e depressão. A tristeza se manifesta normalmente quando um problema real aparece e, por algum motivo - seja a insatisfação com o momento ou a insolubilidade da situação acaba levando a pessoa a ficar triste; passado o momento inicial, vamos nos conformando ou aceitando e a tristeza se vai.
Consideramos como quadro depressivo quando não existiram fatos reais ou simplesmente a tristeza não se vai com o passar do tempo.

Sintect-VP:
Trabalhar sob metas abusivas, avaliações constantes dos supervisores e o regime de meritocracia, contribuem para transtornos psicológicos? por que?

Resp. Psicanalista: ...Colabora muito. A miscigenação de culturas, que formou a nossa cultura brasileira, nos deixou 'light' e com menos probabilidade de aceitação de rigorismos, seja de que natureza for, por isso, no ambiente profissional também isso é refletido, o que acaba por causar grandes transtornos psicológico, por vezes, invadindo o campo da psiquiatria.

Sintect-VP: Ainda existe preconceito com as pessoas que sofrem desses problemas?

Resp. Psicanalista: Muito menos que num passado recente, mas ainda há, por falta de conhecimentos mesmo.

Sintect-VP: A síndrome do pânico tem cura? 

Resp. Psicanalista: Eu sou partidário dos defensores que sim, até porque já acompanhei diversos casos em que a Síndrome do Pânico nunca mais se manifestou.

Sintect-VP: Ajudar pessoas, lutar pelos ideais, estimular a união dos colegas em ambiente de trabalho, pode ajudar no combate à esses doenças?

Resp. Psicanalista: Completamente e totalmente.

Sintect-VP: Você é Coordenador do GASPAN – Grupo de auto-ajuda aos portadores da Síndrome do Pânico, o que é e o que faz este grupo?

Resp. Psicanalista: Sim, eu sou o idealizador e coordenador do Gaspan há 14 anos. A função principal do grupo é colaborar para que as pessoas não se sintam sozinhas neste momento, quando a Síndrome do Pânico aparece. Sintect-VP: Quem pode participar das reuniões do Gaspan?

Resp. Psicanalista: Para participar só é preciso fazer uma triagem, exatamente para identificar se o grupo vai poder colaborar no momento em que cada um se encontra.As reuniões acontecem na rua Paraibuna, 1312 em São José dos Campos. Estamos em recesso, mas as triagens podem ser agendadas. 

Contato: http://psicanalistadouglasbrito.com.br

 

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